Déficit de US$ 4 bilhões desafia avanços da Agenda 2030

16/07/2026

No encerramento do Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF), os Estados-membros da ONU adotaram o compromisso de suprir o déficit de US$ 4 bilhões da agenda internacional. O documento organizado pelo Conselho Econômico e Social (Ecosoc) foca na ação dos países em prol da mobilização de investimento público e privado, diminuição da dívida das nações em desenvolvimento e no combate à corrupção.

A declaração desse ano não ignora as complexidades geopolíticas do atual cenário. Condenando os ataques às rotas de navegação e manifestando preocupação com o orçamento da ONU, o presidente do Ecosoc, Lok Bahadur Thapa, celebrou o consenso alcançado como demonstração da força do multilateralismo. Um dos focos do documento é a erradicação da pobreza extrema, considerada o maior desafio global.

Dados da OCDE revelam queda de 23% na Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) entre 2024 e 2025, impulsionada por cortes orçamentais dos cinco maiores doadores: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Japão. Países em desenvolvimento pedem que destinarem 0,7% do PIB para ajuda internacional.

O relatório do secretário-geral adjunto da ONU, Navid Hanif, sugere que ações coordenadas e redução da exclusão digital podem acelerar o progresso mesmo com recursos limitados. José Antonio Ocampo alertou que o sucesso da Agenda 2030 depende da redução das taxas de juro e reforço da capacidade financeira dos bancos multilaterais.

A ONU realizará evento próximo ano para definir os rumos dos ODS na cooperação internacional de longo prazo. A secretária-geral adjunta, Amina Mohammed, esclareceu que a organização não procura substituto para a Agenda 2030, mas consolidar as promessas atuais nos próximos cinco anos.

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