13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida

15/07/2026

Em 2025, mais de 90% dos bebês em todo o mundo, cerca de 116 milhões, receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). Os dados divulgados pela OMS e Unicef mostram que 85%, ou 110 milhões de menores, completaram as três doses.

As estimativas indicam leve melhora em relação ao ano anterior, mas a cobertura global permanece um ponto abaixo dos níveis de 2019, referência para as metas da Agenda de Imunização 2030.

No Brasil, a cobertura da primeira dose de DTP atingiu nível mais baixo em 2021 (74%), recuperando-se para 98% em 2025. Para as três doses, alcançou 86% em 2025, comparado aos 68% de 2021. Entre países lusófonos: Portugal 99%, Cabo Verde 93%, Moçambique 90%, Guiné-Bissau 90%, Timor-Leste 89%, São Tomé e Príncipe 87%, Guiné Equatorial 84% e Angola 67%.

Segundo a OMS, existem 19,6 milhões de crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta. Desse total, 13,5 milhões são "dose zero" (sem nenhuma imunização no primeiro ano), ficando vulneráveis a doenças preveníveis. Os restantes 6,2 milhões receberam proteção apenas parcial.

Globalmente, há 674 mil crianças a mais na categoria "dose zero" em comparação com 2019, mas 745 mil a menos que em 2024. Nove países concentram 52,4% de todas as crianças "dose zero": Nigéria, República Democrática do Congo, Iêmen, Índia, Indonésia, Etiópia, Afeganistão, Paquistão e Angola.

Mais da metade das crianças "dose zero" vive em países frágeis afetados por conflitos ou vulneráveis, embora representem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. Nesses contextos, programas de imunização frequentemente sofrem com instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico. Na Síria, a cobertura da primeira dose de DTP caiu seis pontos percentuais em um ano, enquanto a do sarampo recuou 12 pontos.

O Sudão registrou o maior avanço entre todos os países no último ano, aumentando em 35 pontos percentuais a cobertura da primeira dose de DTP e em 22 pontos a da primeira dose contra o sarampo.

Segundo Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, "toda criança, independentemente de nascer na riqueza ou na pobreza, merece a proteção vital que as vacinas oferecem". A imunização é uma das intervenções mais econômicas, equitativas e confiáveis para proteger a saúde infantil.

Nos países de renda média e alta, mesmo onde vacinas estão disponíveis, a cobertura está diminuindo devido à redução do compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Na África do Sul, a cobertura da primeira dose de DTP caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025.

Das 195 nações avaliadas, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com as três doses de DTP desde 2019, com pouco progresso em ampliação. Entre os que estavam abaixo de 90% em 2019, 30 conseguiram melhorar nos últimos seis anos, porém 65 permanecem estagnados ou retrocedendo.

Quanto ao HPV, 33% das meninas (cerca de 22,5 milhões) receberam pelo menos uma dose em 2025. Das 44 milhões restantes, 32% não foram alcançadas pelo programa em seus países, e 35% vivem onde a vacina não integra o programa de imunização. A cobertura da última dose aumentou de 28% para 31% em 2025.

Outras notícias